terça-feira, 29 de maio de 2018




https://www.revistamuseu.com.br/site/br/artigos/18-de-maio/18-maio-2018/4760-o-impacto-das-tecnologias-digitais-nos-acervos-museologicos.html


O impacto das tecnologias digitais nos acervos museológicos

                                                                                                     Ana Maria da Costa Leitão Vieira [i]

Debates sobre constituição, organização, gerenciamento e preservação de acervos em suportes analógicos, magnéticos e digitais, denominados inicialmente de cinematecas, videotecas, midiatecas ou acervos multimídia tem ocupado profissionais da área nas últimas duas décadas, está na ordem do dia dos encontros desses profissionais, nacionais e internacionais e continuará ocupando, seguindo a dinâmica de acelerada evolução das tecnologias.

A partir da década de 90, no Brasil, cresce a produção de documentos digitais: planilhas eletrônicas, sistemas de workflow, Gestão de Documentos - GED , bases de dados, etc.
O enfrentamento cotidiano destas questões tem desenvolvido práticas em ensaios e erros, que demandam tempo de observação,de uso, acessibilidade e durabilidade, bem como a constante atenção às novas tecnologias.

Políticas de aquisição e descarte de acervos digitais começam a se delinear e se institucionalizar.
A informação digital é mais sujeita à adulteração, vandalismo e acidentes que a analógica. Seus suportes são frágeis e perecíveis. Soma-se a isso o fato de que os dados de computador dependem de complexos sistemas de hardware e software de rápida obsolescência tornando-se uma ameaça constante de perda de acesso aos acervos.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Laudo técnico museológico para a defesa de Lula

       Os acervos presidenciais e a preservação da memória nacional
O Instituto Lula e o acervo presidencial do
                                  Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Dos acervos Históricos Nacionais

Os acervos históricos nacionais compõem a memória da nação e se configuram como fontes primárias para a História de um povo.
São coleções públicas e privadas consideradas de interesse público e social, organizadas técnica e institucionalmente de modo a preservar sua integridade e unidade, ou seja, a proveniência de sua produção, o acesso público à pesquisa e a socialização do conhecimento.  
Significa que objetos\testemunhos da história nacional em qualquer suporte, de natureza arquivística, bibliográfica e museológica, produzidos sob as formas textual (manuscrita, datilografada ou impressa), eletromagnética, fotográfica, filmográfica, videográfica, cartográfica, sonora, iconográfica, de livros e periódicos, de obras de arte e de objetos tridimensionais são valorados como bens culturais enquanto parte do Patrimônio Histórico da nação.  
De outra parte significa também que embora individualmente o objeto/ testemunho tenha valor simbólico, estético e financeiro em si, ele alcança valor histórico, cultural e social quando e se contextualizado no conjunto ou fundo[1].
Dos acervos Presidenciais
Os acervos presidenciais são coleções, fundos ou conjuntos organizados por sua origem, fonte e proposito.
No Brasil como em outros países, é comum que ex-mandatários criem instituições responsáveis por apoiar suas atividades de organizar e preservar seus acervos documentais e históricos além de promover debates sobre temas relevantes para seus países.  
Os acervos histórico/culturais declarados de interesse público são regidos por leis, decretos e regulamentos próprios que garantem sua autenticidade, salvaguarda e proteção institucional e técnica.
Os acervos presidenciais são regidos pela Lei no 8.394, de 30 de dezembro de 1991 que dispõe sobre a preservação, organização e proteção dos acervos documentais privados dos presidentes da República e dá outras providências e regulamentado pelo Decreto nº 4.344, de 26 de agosto de 2002 tendo em vista o disposto no art. 18 da Lei no 8.394, de 30 de dezembro de 1991.

Da declaração de interesse público e social

Os acervos presidenciais são automaticamente considerados documentos privados de interesse público e social devido a sua relevância para a história, a cultura e o desenvolvimento nacional [2].
A declaração de interesse público e social não implica a transferência do acervo para guarda em instituição arquivística pública, nem exclui a responsabilidade por parte de seus detentores pela guarda e a preservação do acervo.
Os acervos presidenciais também são afetos a Lei nº 8159/91 que institui o Sistema Nacional de Arquivos – SINAR e a Comissão Nacional de Arquivos – CONAR, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências com a finalidade de assegurar a preservação de documentos do Poder Público, tendo como órgão central o Arquivo Nacional, órgão autônomo da administração direta do Ministério da Justiça.

O Instituto Lula e o acervo presidencial do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

A organização técnica, arquivistica e museológica do acervo relacionado à trajetória politica do ex-presidente da Republica Luiz Inácio Lula da Silva e sua institucionalização no Instituto Lula é resultado do reconhecimento nacional e internacional de Lula como destacado líder político de nosso tempo e da consciência de preservação e responsabilidade pública e social de seus organizadores e mantenedores com a sociedade.
A história política de Lula materializada em seu acervo é um legado universal que interessa aos estudiosos, acadêmicos e demais atores políticos. Trata de assuntos que orbitam a experiência de Lula em políticas públicas que marcaram a história do país, influenciam governos e organizações sociais e políticas nacionais e internacionais em grandes temas como Justiça, inclusão social, paz mundial e democracia.
O acervo presidencial é uma parte importante incluída no acervo geral do Instituto que compreende a fase Sindical, o Governo Paralelo de 1990 a 1992, As Caravanas da Cidadania de 1993 a 1996, Projetos de 1999 a 2002, o Governo Lula de 2002 e 2010 e o Instituto Lula a partir de 2014.
O Instituto Lula é um Centro de Documentação e Estudos permanente. Mais do que isso, configura-se como Museu e Centro de Memória classificados na tipologia dos museus de História Politica Contemporânea (ainda tão escassos e necessários em nosso país).
Tem função social de coleta permanente, salvaguarda, pesquisa e difusão de seu acervo.
Dinamiza sua atuação realizando debates e seminários, análises e diagnósticos de conjuntura e propostas de políticas públicas, exposições, publicações e difusão mantendo o vivo debate do processo republicano e democrático.

                                                                  Laudo técnico museológico nº03/2017
Ana Maria da Costa Leitão Vieira
museóloga
COREM 4ª Nº110 II







[1] Fundo «Conjunto de documentos de qualquer natureza –isto é, independentemente da sua idade, suporte, modo de produção, utilização e conteúdo– reunidos automática e organicamente –ou seja, acumulados por um processo natural que decorre da própria atividade da instituição–, criados e/ou acumulados e utilizados por uma pessoa física ou moral ou por uma família no exercício das suas atividades ou das suas funções».
[2] A declaração de interesse público e social de arquivos privados é regida pelo decreto nº 4.073, 03 de janeiro de 2002 que por sua vez regulamenta a Lei no 8.159, de 08 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O conhecimento socializado nos museus favorece a democracia e a paz social.

https://www.revistamuseu.com.br/site/br/artigos/18-de-maio/18-maio-2017/2841-o-conhecimento-socializado-nos-museus-favorece-a-democracia-e-a-paz-social.html                                                   

                                                        
Começo meu artigo em comemoração ao Dia Internacional dos Museus de 2017 com imensas preocupações.
O Brasil vive uma grave crise política. A destituição de uma presidenta eleita ameaça as instituições democráticas. Embora tenha assumido o vice da chapa, assistimos a destruição do programa político eleito em 2014.
Tem sido difícil encontrar fatos a serem comemorados no âmbito dos museus.
O primeiro ato destruidor foi justamente a extinção do Ministério da Cultura. Embora a reação popular tenha conseguido revertê-lo, ficou evidente a inexistência de uma política cultural programática para a área.  Em um ano já foram trocados dois Ministros na Cultura. Contingenciamentos têm gerado demissões de funcionários levando a fechamento de museus.
As crises nos colocam inevitavelmente diante da realidade mais crua. Elas são o apogeu dos estranhamentos. São momentos que exigem enfrentamentos, superações e transformações. Fazem-nos refletir para compreender e transformar. Não suportam covardia, medo, egoísmo, engano ou acomodação. As crises não enfrentadas e o passado não reconciliado assombra o presente e fatalmente nos condena a repetir indefinidamente os mesmos erros.                                         
O tema do Dia Internacional dos museus 2017 é inspirador para o momento.
 “Museus e Histórias Controversas: dizer o indizível em museus”.  Ao colocar em relevo o papel dos museus como centros pacificadores das relações entre os povos, o tema destaca, o como aceitar um passado doloroso constitui um primeiro passo para contemplar um porvir comum sob o signo da reconciliação.
Já tivemos crises políticas e golpes de Estado no Brasil. O período da ditadura de 64 só recentemente começou a ser revelado, enfrentado e musealizado. Ainda não nos reconciliamos efetivamente com esse período tão traumático de nossa história. Ao contrário, tivéssemos refletido exaustivamente sobre esse período nos museus talvez estivéssemos mais preparados para a crise que vivemos hoje e não ouviríamos tantas pessoas pedindo a volta da ditadura.
A crise política escancara a tensão social fazendo surgir importantes e positivos movimentos sociais sejam por direitos humanos, empoderamento das mulheres, afirmações de gênero e raça, acolhimento mais humanizado das migrações humanas e luta contra o capitalismo desumano que abala o convívio pacífico e solidário entre os povos.
É um riquíssimo momento para pensarmos a função social dos museus como instrumentos de conhecimento, de reflexão e de exercício crítico. O conhecimento socializado nos museus favorece sem dúvida nenhuma a democracia e a paz social.

Museus de Cidade - Um projeto em permanente construção



                                                                      
                                                                       Campinas, 18 de maio de 2017
          Museus de Cidade - Um projeto em permanente construção

Musealizar Cidades
                                                          Por quê?
                                                          Como?
                                                          Para quem?

Inicialmente vou contar um pouco da minha experiência.

Em 1984 assumi a diretoria da Divisão de Iconografia e Museus da SMC.
Qual a situação encontrada?

A Divisão administrava:
  • As casas-museus entre elas as casas bandeiristas como a Casa do Bandeirante, Sitio da Ressaca, Casa do Tatuapé, Casa do Sertanista, Sítio Morrinhos além da Casa do Grito e do Monumento à Independência, o Solar da Marquesa de Santos e o Beco do Pinto. Em 1954, por ocasião do quarto centenário da cidade de São Paulo, as casas bandeiristas haviam sido recuperadas e decoradas com mobiliário colonial mineiro dos séculos XVII, XVIII e XIX como camas de dossel, cozinha, salas de jantar e de visita completas, etc.

Com base em pesquisas em inventários, relatos, iconografia da época e trabalhos arqueológicos, pudemos verificar que aquela cenografia existente passou por 30 anos ao público, uma falsa realidade. Os inventários falavam em 3 colheres, 2 pratos de cerâmica, 3 redes, um pilão, banquinhos e moinhos. Os arqueólogos encontraram vestígios de fogueira no centro do cômodo principal concluindo que ali era o local de cozimento de alimentos e de refeições.
Desmontamos a cenografia e recolhemos o acervo de mobiliário.
Enfrentamos questionamentos e tivemos a oportunidade de estabelecer a verdade histórica.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Acumulando coisas

A propósito do artigo, postado por Ignez Mantovani no fb, escrevi essa reflexão. 

Ha algum tempo estou me desapegando de coisas. Não é fácil. Até por ser museóloga e ter visto tantas coisas reunidas em museus, "coisas" de valor histórico, cultural, afetivo e até monetário, já entendí que não é preciso ter. Existem "coisas" como as obras de arte de altíssimo valor. Impossível tê-las. Os museus e arquivos públicos existem para que as coisa de valor possam ser vividas, conhecidas, cuidadas e preservadas, mas principalmente socializadas. Até os museus e arquivos selecionam. O colecionismo e o consumismo são patologias do ter. Patologias pq são vicios e não vivências. Tenho uma casa grande e naturalmente acumulamos coisas. Até certo ponto juntamos e nos cercamos de coisas que são memórias, belezas e fazeres próprios. Nós temos o domínio das coisas. Depois as coisas começam a nos dominar. Temos que conservar, limpar, arranjar e o trabalho que elas dão extrapola a vivência, o conhecimento e a emoção que elas podem proporcionar. Muitas coisas estão há anos guardadas que foram até esquecidas que existem.


https://www.linkedin.com/pulse/assustadora-verdade-sobre-o-excesso-de-coisas-dentro-nossas-jung


quarta-feira, 6 de julho de 2016

  • 2009 – Agraciada com a Ordine Al Mérito della Repubblica Italiana, título de Cavalieri




















segunda-feira, 27 de junho de 2016

2009 - Santiago de Compostela

Conselho da Cultura Galega Santiago de Compostela

16 e 17 de dezembro de 2009

Quero em primeiro lugar agradecer o Conselho da Cultura Galega e ao Arquivo da Emigration Galega pelo convite e cumprimenta-los pela organização desse encontro.          Temos acompanhado de perto o trabalho deste conselho e do arquivo. Eu acredito que esses encontros traduzem o reconhecimento de que, para estudarmos e entendermos as migrações é necessário romper fronteiras, como fizeram e fazem hoje os migrantes. Mais do que isso eu acredito que só entenderemos as migrações se a estudarmos na origem e no destino.


Teoria e prática da musealisação das migrações


Estamos vivendo em todo o mundo um processo de reconhecimento do movimento migratório, como fenômeno humano determinante de desenvolvimento social, econômico e cultural.
          Na Europa a história das migrações começa a fazer parte integrante das histórias nacionais. Apesar das políticas xenófobas de alguns governos, a sociedade, principalmente da área acadêmica e cultural, trabalha hoje no sentido de mudar o olhar da sociedade sobre os imigrantes.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Palestra em Buenos Aires 2014

« Enjeux scientifiques, politiques et mémoriels autour des musées d’histoire de l’immigration »Buenos Aires el 3-4 de noviembre 2014

O tempo dos governantes nem sempre é o tempo dos museus




Eu queria dividir com vocês uma experiência marcante que aconteceu no Memorial do Imigrante em São Paulo.
Acredito que a analise desta experiência poderá trazer elementos para a nossa reflexão sobre os temas propostos para esse workshop.
Tentarei analisar três momentos da instituição, três políticas museológicas distintas e suas práticas
:

o O primeiro período vai de sua fundação em 1995 a 2005.

o O segundo de 2005 a 2010, período em que dirigi o Memorial.


Em 2010 o Memorial foi fechado para restauro do edifício, o acervo dispersado e todo o corpo funcional demitido e assim ficou por quatro anos.

o O terceiro momento é a reabertura em junho de 2014 com o nome de Museu da Imigração.

O Memorial do Imigrante de São Paulo foi fundado em 1995 instalado na antiga Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo que funcionou de 1887 a 1976.
Foi pioneiro na musealização do fenômeno das migrações assim como Museu de Imigração em Melbourne - Austrália, o Memorial em Ellis Island - New York e o Píer 21 Halifax no Canadá.
Ao longo de 91 anos de funcionamento, a antiga Hospedaria dos Imigrantes gerou um importante arquivo documental. Contava com uma Agência Oficial de Colonização e Trabalho que acolheu e encaminhou aos novos empregos, 2,5 milhões de imigrantes de 76 nacionalidades.
Na década de 1930 acolheu um milhão de trabalhadores migrantes de outros estados brasileiros.
O Memorial herdou todo o acervo da antiga Hospedaria e ao longo de sua atividade coletou objetos, fotografia, gravações de histórias de vida, documentos pessoais, coleções de jornais de comunidades, etc.
Recebeu doações de objetos representativos de famílias de imigrantes e recolheu documentos em delegacias de estrangeiros em outras cidades paulistas, listas de bordo de navios que aportaram no Porto de Santos em São Paulo e documentos de outras hospedarias que tiveram breve existência.
Até 2005 o Memorial dedicava-se a preservação de seu acervo focado nas migrações em massa do século XIX e início do século XX . Tinha atribuição oficial da emissão de Certidão de Desembarque sob demanda, para fins de obtenção de dupla cidadania, comprovação de parentesco para fins de herança, localização de pessoas desaparecidas para Cruz Vermelha e outras demandas judiciais.